Campanha Abril Azul visa conscientizar sociedade sobre o autismo

 

O mês de abril é marcado pela campanha Abril Azul, que busca conscientizar a sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Instituído pela ONU, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado no dia 2 de abril, tem como objetivo dar visibilidade à causa. Com o tema “Autismo e Humanidade: Toda Vida Tem […]


Publicado por em 02/04/2026.

O mês de abril é marcado pela campanha Abril Azul, que busca conscientizar a sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Instituído pela ONU, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado no dia 2 de abril, tem como objetivo dar visibilidade à causa.

Com o tema “Autismo e Humanidade: Toda Vida Tem Valor”, a campanha deste ano sugere que países e instituições avancem para um modelo que considere o autismo uma variação neurobiológica natural. O neuropediatra Marino Miloca avalia a importância da campanha e esclarece que o autismo não é uma doença, mas uma forma diferente de compreender o mundo:

A gente chama de uma condição, um transtorno do neurodesenvolvimento. Ou seja, é a forma como o cérebro daquela pessoa se desenvolve desde a formação. Isso muda principalmente a forma como essa pessoa se comunica, interage com quem está ao redor, percebe o mundo, né? Então, justamente assim, por não ser uma doença, a gente não fala em cura, não aborda como uma doença. A gente precisa oferecer suporte para essa pessoa, desenvolver o potencial dela e garantir que tenha melhor qualidade de vida”, diz.

O médico enfatiza que, atualmente, a ciência estuda e compreende muito mais sobre o comportamento humano, e os critérios de diagnóstico se tornaram mais amplos:

Há uma impressão na sociedade de que a gente está vivendo uma epidemia de autismo. Essa é uma sensação que ela não é real. O que mudou então para a gente chegar nesse aumento real dos números, né? Principalmente a capacidade de reconhecer o autismo. Então, nós temos critérios para esse diagnóstico que ficaram mais claros e mais amplos. Os profissionais estão mais capacitados, a sociedade está mais informada. E também tem vários casos que antes passavam despercebidos ou mesmo não tinham um diagnóstico certo. Então, na prática, o diagnóstico melhorou“, diz.

Apesar desses avanços, o diagnóstico para meninas ainda é mais difícil do que para meninos, avalia o neuropediatra:

Na verdade, esse é um dos grandes desafios que nós temos nesse diagnóstico hoje em dia. As meninas com autismo, elas costumam… nós chamamos de camuflagem social. Então, elas passam mais batido pelo diagnóstico, às vezes com sinais mais sutis. Mas isso tem mudado e, como sociedade médica, como sociedade em geral, eu acredito que cada vez mais nós estamos dando passos para que a gente cometa menos esse erro. Mas é um desafio o diagnóstico em meninas e mulheres“, reforça.

O diagnóstico de autismo nem sempre ocorre na infância. Um exemplo é o de Fátima de Kwant, escritora, palestrante da ONU e embaixadora do Cordão de Girassol. Em julho de 2025, a brasileira, que tem um filho autista, recebeu seu próprio diagnóstico de autismo com superdotação e altas habilidades:

Toda a iniciativa das comunidades autistas internacionais é na direção de maior compreensão dessa extensão do espectro. Muita gente se pergunta como pode alguém ser advogado, médico, jornalista e ter autismo. Na verdade, o espectro, ele é tão extenso que confunde as pessoas. Então explicar isso é importantíssimo“, diz.

No Brasil, o movimento também ganha destaque com o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo. Com o slogan “Autonomia se Constrói com Apoio“, a cor azul é utilizada para iluminar monumentos, fachadas e espaços públicos como forma de dar visibilidade à causa. A iniciativa visa combater preconceitos, garantir direitos e incentivar políticas públicas inclusivas.

Fonte: Agência Brasil