Em meio às críticas do governo de Donald Trump ao Pix, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu na quarta-feira (3/6) que o Brasil pode “ir para a mesa de negociação” ao mencionar o uso do Zelle, que ele chamou “o Pix americano”. Segundo matéria,publicada na BBC Brasil, Eduardo Bolsonaro teria declarado ao canal TMC […]
Em meio às críticas do governo de Donald Trump ao Pix, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu na quarta-feira (3/6) que o Brasil pode “ir para a mesa de negociação” ao mencionar o uso do Zelle, que ele chamou “o Pix americano”.
Segundo matéria,publicada na BBC Brasil, Eduardo Bolsonaro teria declarado ao canal TMC News, que os “EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle”.
“Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, seguiu o ex-deputado cassado que vive nos EUA há mais de um ano fazendo articulações políticas que buscam favorecer o campo bolsonarista.
A declaração de Eduardo foi dada em meio à pressão americana sobre o Pix, que foi um dos alvos do documento em que governo Trump propõe uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros. No documento, o governo americano afirma: “O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”, afirma o documento da investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado.
Contra fatos não há argumentos
O ataque do governo americano ao Pix não acontece porque o sistema seja inseguro ou ineficiente. Pelo contrário: o Pix se tornou um enorme sucesso no Brasil justamente por ser rápido, gratuito para pessoas físicas e funcionar 24 horas por dia.
O que está em jogo é uma disputa econômica. O Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil como uma infraestrutura pública de pagamentos. Isso reduziu a dependência dos brasileiros de empresas privadas que lucram com taxas cobradas em cartões e outros meios de pagamento.
O chororô do governo Trump gira em torno da gratuidade do pix. Autoridades americanas e representantes do setor financeiro dos Estados Unidos argumentam que o Pix prejudica empresas norte-americanas que atuam no mercado de pagamentos digitais, como Visa, Mastercard e outras plataformas privadas, que faturam em cima de cada transação, ao contrário do pix.
Para o governo e para o povo brasileiro, o pix é uma política pública legítima, voltada para ampliar a inclusão financeira e reduzir custos para a população. Nesse contexto, o Pix passou a ser visto não apenas como uma tecnologia, mas também como um exemplo de soberania nacional na área financeira.
O “pix americano” defendido por Eduardo Bolsonaro
Nos Estados Unidos, um dos sistemas de pagamento frequentemente citados como alternativa é o Zelle. Defendido por Eduardo Bolsonaro, o Zelle é um serviço privado criado por um consórcio de grandes bancos americanos. Ele permite que pessoas enviem dinheiro umas às outras usando apenas o número do telefone ou o e-mail do destinatário.
Mas há diferenças importantes entre o Pix e o Zelle, confira:
Em resumo: o debate sobre o Pix não é apenas tecnológico. Trata-se de uma disputa sobre quem controla os sistemas de pagamento do futuro. De um lado, um modelo público, coordenado pelo Estado brasileiro; de outro, modelos privados, vinculados ao setor bancário tradicional.
A população brasileira, que não é boba, adotou massivamente o Pix porque ele tornou as transações mais simples, rápidas e baratas, e dificilmente vai engolir o fim do pix e a importação de um sistema privado americano. Quem defende essa mudança bom brasileiro não é.