Março não é mês de flores e discursos vazios. É mês de história, de sangue, de coragem e de organização coletiva. É tempo de lembrar que cada direito conquistado pelas mulheres foi fruto de muita luta — nas fábricas, nas ruas, nos sindicatos, nos parlamentos e dentro de casa. O direito ao voto, à educação, […]
Março não é mês de flores e discursos vazios. É mês de história, de sangue, de coragem e de organização coletiva. É tempo de lembrar que cada direito conquistado pelas mulheres foi fruto de muita luta — nas fábricas, nas ruas, nos sindicatos, nos parlamentos e dentro de casa.
O direito ao voto, à educação, ao trabalho formal, à licença-maternidade, à igualdade prevista na Constituição — nada disso caiu do céu. São conquistas arrancadas de uma sociedade estruturalmente machista, que historicamente tentou silenciar e confinar à invisibilidade aquele que acharam por bem denominar “o sexo frágil”.
No Brasil, a Lei Maria da Penha foi um marco, mas não basta termos leis avançadas se a cultura da misoginia continua naturalizada dentro de casa na própria criação dos filhos; em piadas; nas redes sociais; nos ambientes de trabalho; e, muitas vezes, nas próprias instituições que deveriam nos proteger.
A violência contra a mulher não é um fato isolado: é resultado de uma estrutura de poder machista que insiste em submeter.
Os números do feminicídio seguem alarmantes. Mulheres seguem sendo assassinadas por seus companheiros e ex-companheiros. Recebem salários menores para exercer as mesmas funções que os colegas homens. São julgadas por suas escolhas, culpabilizadas pela violência que sofrem e muitas vezes desacreditadas quando denunciam.
É preciso dizer com todas as letras: misoginia não é opinião, é violência. E violência contra a mulher não é problema privado — é questão social, política e de direitos humanos.
Neste mês de março, reafirmamos nosso compromisso com a igualdade real. Isso significa combater a precarização do trabalho feminino, garantir políticas públicas de proteção, ampliar redes de acolhimento, fortalecer a autonomia econômica das mulheres e enfrentar, sem relativizações, qualquer discurso que incentive ódio ou discriminação.
A luta das mulheres é parte inseparável da luta da classe trabalhadora. Não haverá justiça social enquanto metade da população continuar sendo violentada, desrespeitada e subestimada.
Março é mês de comemoração sim, mas, antes de tudo, é mês de luta.